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Como vim parar em Portugal?

Hoje resolvi contar um pouquinho sobre a minha experiência migratória e como eu vim parar na Cidade do Porto, em Portugal.


Eu sou do Brasil (como já deu pra perceber), mas vivo em Portugal há mais de dez anos. Essa jornada começou quando meu PAIdrasto, veio fazer um doutoramento (já falo em PT/PT, sorry) em terras lusitanas, logo ele e minha mãe me questionaram: "você quer ir também?" E eu, com toda a certeza e clareza que só o auge dos 19 anos proporcionam, respondi que SIM, prontamente.


A ficha não caiu imediatamente. Mas as entranhas reviraram logo que o passaporte ficou pronto (“agora é verdade, eu pensei”)...

Depois de 40 despedidas, cá estava eu, em solo português pronta (ou nada pronta) para essa aventura.


O começo foi lindo, tudo era uma grande novidade, cheguei em Agosto, em pleno verão Europeu. Vivi a fase da lua de mel da adaptação, os primeiros meses pareciam férias.


Até que a rotina foi se instalando, a saudade se aproximando e os obstáculos de adaptação surgindo. "Mas é a mesma língua", "é fácil viver fora", "Acorda, você tá na Europa", foram algumas das justificativas que eu ouvi para afastar a solidão e a vontade de voltar.


Demorei para entender algumas coisas, mas entendi.


Deu certo quando percebi que não existe uma cultura melhor do que a outra, quando aprendi que o diferente não é necessariamente ruim. Que aprender uma nova cultura não tira a minha identidade. Deu certo quando entendi que algumas amizades não duram pra sempre, e outras duram, mesmo com telefonemas escassos.


Depois de alguns anos, meus pais me fizeram a pergunta oposta " e agora, você quer voltar?", e eu, agora sim, prontamente, com menos certezas, mas com os pés sujos de mundo, disse que NÃO.. e cá estou, mais de dez anos depois.


Cada um tem o seu percurso, a sua história. A sua experiência migratória não deve ser comparada com a de ninguém, são as nossas diferenças que nos tornam únicos e não as nossas semelhanças. Mudar e migrar, não é fácil, cada passo forasteiro que damos, requer muita coragem, e isso é motivo pra lembrar e para se orgulhar diariamente.


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